I Won't Dance
"I won't dance, don't ask me
I won't dance, don't ask me
I won't dance Madame with you
My heart won't let my feet do things that they should do
You know what, you're lovely you know what, you're so lovely
And you know what you do to me
I'm like an ocean wave that's bumped on the shore
I feel so absolutely stumped on the floor"
Frank Sinatra
I won't dance, don't ask me
I won't dance Madame with you
My heart won't let my feet do things that they should do
You know what, you're lovely you know what, you're so lovely
And you know what you do to me
I'm like an ocean wave that's bumped on the shore
I feel so absolutely stumped on the floor"
Frank Sinatra
Ao ouvir essa música lembro-me de Franca. Sim, lembro-me do Pier e de quando acordava cedo para arrumar minha casa.
Tive minhas oportunidades. Com voz receosa e decidida ao mesmo tempo, disse vou pra FRC, pedi as contas no trabalho, deixei família, amigos, uma verdadeira cidade maravilhosa.
Aos poucos as lembranças começam a apagar de minha memória. Já não lembro quantos quarteirões separavam meu ap da UNESP ou do Savegnago (o supermercado da família feliz). Não me lembro o número da minha sala, metade dos nomes dos que estudavam comigo.
Lembro-me no entanto, de coisas aparentemente sem importância: do vento que soprava incessante, das árvores que cercavam o cemitério, das estantes da biblioteca e até mesmo em quais delas encontravem-se meus livros preferidos. Lembro-me do sol que diariamente me acordava, da medida exata de café que preparava, do rosto da cidade do interior estampado em cada um que estava sempre por perto.
Lembro-me da minha casa sempre arrumada, do cheiro e da cor. Lembro-me das vontades que tive e das coisas que não concretizei. Lembro-me do que alcancei, da coragem que adquiri, da loucura que de vez em quando tomava conta de mim.
Ainda ouço o vento soprando pela fresta da janela. Ainda conto as pedras portuguesas que compõem o chão da praça. Ainda sinto o frescor do corredor do Pier. Ainda procuro os livros que alguém escondeu em alguma estante da biblioteca.
Mas quer saber mesmo?? Me arrependo de jamais ter provado a torta de limão da Padaria Estrela, pra ver se ao menos uma vez na vida o Roxo teve razão...


2 Comments:
Na verdade, as lembranças que ficam são aquelas que realmente fizeram a diferença né. Boas ou ruins, estarão sempre lá, dentro de nossas cabeças. Dentro de nossos corações.
O restante, talvez até não tenha sido menos importante. Mas não teve o mesmo efeito.
E a vida é assim mesmo. Cheia de lembranças. Creio eu que são elas combustíveis essenciais na nossa caminha diária...
Adorei seu blog. Nem preciso dizer o quanto vc escreve bem né.
Vou procurar visitar aqui sempre :-)
Um beijo enorme. E cheio de saudades também.
Olha, que distração a minha... Nem tinha reparado ainda meu selo ali do lado do seu blog...
Franca, Franca... Cidade que acolheu a tantos, tanto quanto a mim e a você. Bem ou mal, mas acolheu. Uma cidade que vive em constante crise de auto-estima. Mas há algo aqui que nos prende. Se não pelo corpo, ao menos pela alma.
E que, apesar de ser um fim-de-linha só, acaba se tornando o improvável ponto de encontro de pessoas de origem tão diferente e que muitas vezes acabam comungando das mesmas idéias, dos mesmos gostos, dos mesmos objetivos.
GENTI MEAE PAVLISTAE FIDELIS - "À minha gente paulista fiel", como diz o brasão do município. Mas com toda a mineiridade interiorana.
Acho que é por causa do clima daqui.
Beijos,
Goncin
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