Segunda-feira à noite o Telecine da Globo exibiu "Nunca fui beijada". Apesar de tarde da noite (acabou à 0:30h) e sabendo que de manhã logo cedo teria aula, não pude deixar de assistí-lo, por tantos motivos quantos puderem existir sobre o assunto. Comédia romântica é sem dúvida o gênero cinematográfico que mais mexe com as sensações positivas dos seres humanos (acreditava que era apenas com o sentimento das mulheres, mas aqui em FRC descobri que a coisa não é sempre assim...). Suspense, drama, policial: gêneros que te fazem ter medo, ansiedade ou tristeza; às vezes nos leva até ao desespero. Já a Comédia Romântica mexe com a felicidade momentânea, com o bem-estar, com o amor, a paixão, os sonhos e ideais. Impossível pensar que um drama ou um policial se passem em sua vida. Impossível, também, passar inerte a uma C.R.: o pensamento que me vem à cebeça é "por que isso não acontece em minha vida?" ou "como isso se parece com minha história!". Nesse espírito, comparar os filmes com a vivência cotidiana é inevitável. Pensar, por exemplo, em ter que conquistar na vida real quem amo na vida virtual como em "You've Got Mail" é comparável a descobrir-se apaixonado por alguém por suas idéias, é exatamente não se apaixonar pela efêmera beleza, mas pela imortal capacidade intelectual de ser quem é, assumindo pensamentos e ações. Ou então, pensar no "Casamento do Meu Melhor Amigo" ("My Best Friend's Wedding"), que inevitavelmente ocorrerá (em partes) em minha vida quando ele, meu melhor amigo nos tempos de colégio e depois, também meu ex-namorado, resolver casar-se. Não penso que tentarei afastá-los (nem mesmo espero ser convidada apenas 2 dias antes), mas acredito firmemente que farei minhas as palavras de "Jules" (Julia Roberts): "meu melhor amigo escolheu a melhor mulher" - pois é exatamente isso que espero, torço e acredito. Tantos outros filmes poderia citar aqui que jamais teria fim este post romântico. No entanto, 2 são os filmes com os quais pretendo encerrar: em 1° lugar, a comédia romântica que nunca consigo esquecer, e que ultimamente passa em minha cabeça todos os dias, é "Enquanto Você Dormia" ("While You Were Sleeping"). "Lucy" (Sandra Bullock) acredita firmemente que o que sente por determinado homem é amor. Com o tempo, descobre que o amor é mais que a imagem que vê todos os dias pela manhã: é a amizade, é o carinho, é a compreensão, o cuidado, o querer estar junto, é algo que se percebe num simples gesto ou olhar. E isso também é o amor para mim. A beleza perfeita é efêmera, enganosa, modal. A verdadeira beleza está simplesmente nos olhos de quem vê. A verdadeira beleza está em ser. SER! Por fim, o 2° filme é o próprio "Nunca Fui Beijada" (Never Been Kissed), que para mim também tem grande significado. Não porque eu nunca tenha sido beijada, mas porque este filme lembra muito do que fui e do que sempre quis ser. No filme, a fala última (ou matéria escrita e publicada) por "Josie Gellar" (Drew Barrymore) tem um aspecto interessante de estereotipação e pensamento pós-escolar. Segundo Josie, sempre haverão as meninas lindas, cuja beleza não passará com o tempo (ops! Mas onde mesmo ficou o cérebro?), que não se desgrudam e, no fim, formam um mini-grupo restrito de dar inveja (ainda bem que não é delas o amor ou o reconhecimento da capacidade intelectual, caso contrário nelas subsistiria a perfeição). Há ainda o grupo dos inteligentes, que tira boas notas, têm vontade imensa de estudar e fazem disso uma diversão, são amigáveis e receptivos, principalmente se você se encaixa neste perfil. Há a professora maluca, sim, aquela que você não sabe se ama ou detesta, mas que torna o período de aulas curto, engraçado e divertido. Há o professor dos sonhos, aquele bonito ou feio que sempre dará a melhor aula, sempre merecerá prioridade nos estudos e boa vontade de assistir aula mesmo que às 7AM. Por fim, o garoto perfeito, com seu sorriso inabalável e olhar sedutor, que te faz ter vontade de ir à escola, que arrasa todos os corações, que te faz perder o chão. Não importa se é thiago, se é rodrigo, se é nicolas, diogo ou abelardo, ele sempre estará lá, do pré à Universidade, esperando por você. E será ele que você descobrirá não ser perfeito, principalmente quando por você ele se apaixonar. É aí que você descobre quão superior e vacinada a tudo isto você é. É então que você se apaixona por alguém comum como você, que não faz parte da turma, do estereótipo, mas sim da realização da felicidade. O que tudo isso tem a ver comigo? Bastou ser da "Turma" para ter certeza que ali não era meu lugar. Meu lugar também não era entre os "crânios". Meu lugar é em mim mesma, nos meus anseios e convicções, nas verdades que busco, sigo e persigo. E tudo, tudo que move minha vida, todas as respostas, estão dentro de mim: o Deus que por infinita graça me faz viver e aprender a cada dia; o amor que me faz sorrir; a saudade que me faz querer que o sol altere seu ritmo; a família que guardo em "vídeos" e "fotos" dentro de minha mente e coração - tudo, tudo está dentro de mim. E escancará-los ao mundo, num jornal, num campo de baseball ou neste modesto blog, são apenas minhas, a opção e a vida.